terça-feira, 30 de junho de 2009

DeScOmPaSsO por Vera Vieira

Foto Lu Goldberg
Ah, doce e melódica Insensatez
Com o seu som me fiz dançar
Sozinha
Eu, o meu próprio par

No chão do meu salão,
Apenas lágrimas de cristais
Dançaram memórias quase esquecidas,
Bailaram um futuro saudoso

Onde o embalar de sonhos
Na cadência de passos
E abraços do par distante?

Onde aquela pessoa
DeVeras insensata?
Em qual ritmo da vida
O descompasso?

Ah, insensatez! Que você fez?


TRILHA DE CONTRADIÇÕES por Lya Luft


Ilustração Atômica Studio


"Convencidos de que pensar dói e de que mudar é negativo, tateamos sozinhos no escuro, manada confusa subindo a escada rolante pelo lado errado"


"Viver é subir uma escada rolante pelo lado que desce." Já escrevi sobre essa frase. Sim, repito alguns temas, que são parte do meu repertório, pois todo escritor, todo pintor, tem seus temas recorrentes. No alto dessa escada nos seduzem novidades e nos angustia o excesso de ofertas. Para baixo nos convocam a futilidade, o desalento ou o esquecimento nas drogas. Na dura obrigação de ser "felizes", embora ninguém saiba o que isso significa, nossos enganos nos dirigem com mão firme numa trilha de contradições.

Apregoa-se a liberdade, mas somos escravos de mil deveres. Oferecem-nos múltiplos bens, mas queremos mais. Em toda esquina novas atrações, e continuamos insatisfeitos. Desejamos permanência, e nos empenhamos em destruir. Nós nos consideramos modernos, mas sufocamos debaixo dos preconceitos, pois esta nossa sociedade, que se diz libertária, é um corredor com janelinhas de cela onde aprisionamos corpo e alma. A gente se imagina moderno, mas veste a camisa de força da ignorância e da alienação, na obrigação do "ter de": ter de ser bonito, rico, famoso, animadíssimo, ter de aparecer – que canseira.

Como ficcionista, meu trabalho é inventar histórias; como colunista, é observar a realidade, ver o que fazemos e como somos. A maior parte de nós nasce e morre sem pensar em nenhuma das questões de que falei acima, ou sem jamais ouvir falar nelas. Questionar dá trabalho, é sem graça, e não adianta nada, pensamos. Tudo parece se resumir em nascer, trabalhar, arcar com dívidas financeiras e emocionais, lutar para se enquadrar em modelos absurdos que nos são impostos. Às vezes, pode-se produzir algo de positivo, como uma lavoura, uma família, uma refeição, um negócio honesto, uma cura, um bem para a comunidade, um gesto amigo.

Mas cadê tempo e disposição, se o tumulto bate à nossa porta, os desastres se acumulam – a crise e as crises, pouca trégua e nenhuma misericórdia. Angústias da nossa contraditória cultura: nunca cozinhar foi tão chique, nunca houve tantas delícias, mas comer é proibido, pois engorda ou aumenta o colesterol. Nunca se falou tanto em sexo, mas estamos desinteressados, exaustos demais, com medo de doenças. O jeito seria parar e refletir, reformular algumas coisas, deletar outras – criar novas, também. Mas, nessa corrida, parar para pensar é um luxo, um susto, uma excentricidade, quando devia ser coisa cotidiana como o café e o pão. Para alguns, a maioria talvez, refletir dá melancolia, ficar quieto é como estar doente, é incômodo, é chato: "Parar para pensar? Nem pensar! Se fizer isso eu desmorono". Para que questionar a desordem e os males todos, para que sair da rotina e querer descobrir um sentido para a vida, até mesmo curtir o belo e o bom, que talvez existam? Pois, se for ilusão, a gente perdeu um precioso tempo com essa bobajada, e aí o ônibus passou, o bar fechou, a festa acabou, a mulher fugiu, o marido se matou, o filho... nem falar.

Então vamos ao nosso grande recurso: a bolsinha de medicamentos. A pílula para dormir e a outra para acordar, a pílula contra depressão (que nos tira a libido) e a outra para compensar isso (que nos rouba a naturalidade), e aquela que ninguém sabe para que serve, mas que todo mundo toma. Fingindo não estar nem aí, parecemos modernos e espertos, e queremos o máximo: que para alguns é enganar os outros; para estes, é grana e poder, beleza e prestígio; para aqueles, é delírio e esquecimento.

Para uns poucos, é realizar alguma coisa útil, ser honrado, apreciar a natureza, sentir o calor humano e partilhar afeto. Mas, em geral medicados, padronizados, desesperados, medíocres ou heroicos, amorosos ou perversos, nos achando o máximo ou nos sentindo um lixo, carregamos a mala da culpa e a mochila da ansiedade. Refletindo, veríamos que somos apenas humanos, e que nisso existe alguma grandeza. Mas, convencidos de que pensar dói e de que mudar é negativo, tateamos sozinhos no escuro, manada confusa subindo a escada rolante pelo lado errado.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

ADEUS, MENINO MICHAEL! por Vera Vieira

Foto: Marketamedkovas


Há muito que eu pensava que uma notícia assim, sobre a morte repentina de Michael Jackson pudesse surpreender o mundo, como de fato ocorreu nesse dia 25 de junho de 2009. É sempre de se lamentar quando um talento, seja de qualquer área de atividade humana, se vai. E, principalmente, quando esse alguém, de alguma forma, nem que seja a mais distante e mínima forma, tocou a nossa vida em algum ponto. Eu era uma adolescente quando esse menino começou a fazer sucesso com canções que até hoje embalam minhas boas recordações. E é claro que, assim como o mundo todo, segui a trajetória do menino prodígio. Fora de qualquer pretensão descabida de julgamento, em meu coração que sofre as dores do mundo, percebi que naquele ser foi engendrado um Peter Pan às avessas. Pois ninguém pula etapas de desenvolvimento de personalidade impunemente. O menino Michael teve a sua infância roubada por circunstâncias evidenciadas e comprovadas por vida familiar desregrada, cujas autoridades estavam mais preocupadas em sucesso e dinheiro do que exatamente no maior objetivo do núcleo familiar que é a felicidade dos seus membros. Talvez seus irmãos tiveram um pouco mais de chance por serem mais velhos e entenderem melhor o que se passava. Mas Michael era um menino que começou a cantar aos cinco anos. E tornou-se o sucesso do grupo familiar aos 11 anos. E depois, nem preciso lembrar daquela tsunami que devastou a vida do menino. Do menino que fincou pé na infância. De maneiras perturbadas, por suposto. Porque, de alguma maneira, ele sempre quis vivenciar a sua infância. Viver o que vive um menino livre, sem algemas nem grilhões. Por isso complicou a sua vida com temas relativos à infância: os abusos sexuais, a criação de uma Terra do Nunca, a indefinição de expor-não expor os filhos à mídia, entre outras coisas do conhecimento popular mundial. Mas também, enquanto seu dinheiro alcançou, descomplicou a vida de muitos meninos pobres, doando milhões de dólares a entidades que deles cuidavam. Mas nada disso devolveu o menino ao menino. Nem mesmo a questionada mudança de cor de pele, nem mesmo as muitas cirurgias plásticas que tinham como objetivo deixá-lo parecido com outra pessoa. Acho que essa foi a fuga extrema a que se submeteu o menino: a tentativa de mudar de corpo. Mas para tudo isso há limites e o menino excedeu, desesperadamente, a quase todos. Ainda não sabemos exatamente as causas da sua morte. Mas, para mim, isso é pouco relevante. Porque a perda é maior, abarca todos os outros acontecimentos. O que dá um pouco de conforto é saber que, finalmente, o menino se libertou. Deverá, em outros planos, fazer a felicidade de outros, com seus passos de caminhante da lua, sua voz afinadíssima, sua dança contagiante e suas peripécias de menino. Deverá fazer mover os corpos dos que o ouvem cantando Thriller, tal como o fiz ontem, seguindo o noticiário da noite. Deverá, também, num restrospecto lindo, mostrar-se em sua infância roubada, cantando suavemente, Ben, quando ainda não poderia imaginar a estrela brilhante que seria, ao passar tão rapidamente pelo céu de nossas vidas. Vai, menino Michael! Vai ser feliz! Que a única maneira que nos resta de agradecer por seu talento à nossa disposição é ficarmos, aqui, torcendo que seus filhos possam ser mais felizes do que você.


terça-feira, 16 de junho de 2009

TEMPO REI, Ó TEMPO REI, Ó TEMPO REI...por Vera Vieira


Majestade, que ao mover-se de modo contínuo e inexorável
provocando encontros e desencontros pela vida afora
trazendo alegria, promovendo esperanças, criando elos
e também levando sonhos, postergando desejos, alimentando ilusões...

Majestade, que à nossa revelia de ânsia de retenção,
passa, passa, passa
e enquanto na lida com tarefas mais terrenas,
vamos esquecendo das coisas que mais importam
e, no sentir do coração, não soubemos percebê-la e pensar: "É tempo!"...

Majestade, que desencadeia um gesto único, irrepetível e solitário
que determina a chance de fato ou irrealidade
fazendo com que apenas o olhar para trás
nos faça perceber que tivemos nossa vez e ela se foi...

Majestade, antes que roube novamente o meu momento
Peço, na medida em que vislumbro seu aceno de gesto único,
Dê-nos um espaço especial, de perfeita sintonia e claro entendimento
Onde as palavras ditas sejam tão eficazes quanto os silêncios...

Majestade, que nos gestos e palavras e silêncios
Possa a verdade aflorar tranquilamente
E no momento e lugar certo se resgate a certeza
De que há pessoas que vieram pra ficar...
Que, mesmo distantes, podem se amar e se cuidar
E que nem um rei - com toda sua majestade e autoridade -
Pode fazer algo para apagar o que está na mente e no coração.


DON VICENTE SÁNCHEZ por Vera Vieira

Foto Ana Márcia Vieira

Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.

Al andar se hace camino
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.

Caminante no hay camino
sino estelas en la mar...

(Antonio Machado)



Veio até mim como muitas pessoas chegam na vida da gente: atravessando mil pontes, desviando labirintos, cruzando oceanos, encarregando intermediários. Na verdade, veio como um presente que jamais havia pedido. Porque o presente era para o meu marido. Mas a presenteada maior e desde sempre, deveria ser eu. Quem saberá os desígnios de Deus para que pessoas cruzem as nossas vidas e nós cruzemos as delas? No dia em que tive nas mãos o livro Momentos de Inspiração, já pressentia o que me esperava. Além das poesias de versos inspiradíssimos do poeta, um encontro ainda maior: um encontro de corações. Foi assim com os versos de Don Vicente Sánchez: um arrebatamento total, um encantamento incondicional. E também, um lamento profundo pela pouca divulgação dos versos daquele poeta nascido espanhol mas brasileiro de coração, que amava Santos, a cidade que o acolheu e a seus ascendentes e descendentes. Consciente de que boas palavras, gestos carinhosos e amabilidades sempre fazem feliz tanto a quem os dá como a quem os recebe, estava evidente que eu não deixaria passar a oportunidade de me encontrar pessoalmente com o poeta Vicente. Uns e-mails trocados entre meu marido, um neto do poeta, jovem amigo, ─ Ricardo, serei sempre grata a você por ter presenteado o Vieira, viu? ¡Gracias toda la vida!, ─ e eu, proporcionaram-me um dos momentos mais intensos que vivi: uma visita ao nobre poeta, já em idade bem avançada. Não me estenderei muito sobre detalhes. Somente algumas palavras... Don Vicente falante e só sorrisos. Don Vicente declamando poesias em espanhol para mim, de memória. Don Vicente o tempo todo de mãos dadas comigo, no sofá. Don Vicente feliz. Eu feliz. Embora estivessem na mesma sala muitos parentes, construímos um mundinho só nosso naquele breve espaço/tempo. Que foi muito rápido mas foi tão intenso que até hoje tenho a sensação de que não saí daquela magia. Bem, como tudo na vida tem um final, deixei aquele apartamento com uma explosão de sentimentos dentro do meu peito, da minha cabeça e da minha memória. Sim, porque embora eu não quisesse aceitar que talvez aquele encontro fosse o único, eu tentava desesperadamente guardar todos os detalhes. Mas eu estava com os pensamentos embotados: chorei muito no caminho de volta ao hotel. Assim como, também num hotel de São Paulo, meses mais tarde, chorei ainda mais, num salão de café da manhã, quando meu marido me ligou para noticiar a morte de Don Vicente. Minha amiga Thereza, com quem eu fazia o passeio cultural do semestre, se dispôs a ir comigo até Santos, mas eu preferi guardar na memória o Don Vicente da única vez. Era o que me bastava: saber que nos fizemos felizes no momento certo. E, além de tudo, eu tinha os seus versos. De qualquer forma, ele continuaria vivo. Hoje penso em tudo isso como uma das mais lindas lições que a vida me ensinou. E a certeza de que não se deve postergar chances para fazermos os outros felizes e nos fazermos felizes também. Porque nada acontece fora de hora. Há um momento certo para tudo. Mas é preciso estar atento, ter olhos “de ver”, para que quando nos dermos conta, não tenhamos que olhar para trás e apenas lamentar a oportunidade para sempre perdida. Nós não perdemos a nossa, não é, Don Vicente? E eu não quero perder a chance que tenho de poder divulgar os versos do poeta: inauguro hoje, um cantinho só para os versos dele. É a minha maneira de reencontrar-me com o poeta e agradecer o que ele vem significando, na minha vida, desde então.

Em sua homenagem, Don Vicente, outros dois poetas espanhóis que amo, falam por mim: Antonio Machado e Joan Manuel Serrat.



sexta-feira, 12 de junho de 2009

YOUR LOVE - DULCE PONTES




Composição: E. Morricone / A. Stainton / M.Travia

I woke and you were there
beside me in the night.

You touched me and calmed my fear,
turned darkness into light.

I woke and saw you there
beside me as before

My heart leapt to find you near
to feel you close once more
to feel your love once more.

Your strength has made me strong
Though life tore us apart

and now when the night seems long
your love shines in my heart
your love shines in my heart.

DIA DOS NAMORADOS


E eis que chega, outra vez. Hoje haverá muitas flores, perfumes, presentes.

Jantares à luz de velas, abraços, expectativas.

O que será que ele me reserva, neste dia? Será que ela me surpreenderá de alguma forma especial?

Sim, embora esse apressar das coisas que vivemos no mundo, de muitos ficares, de conquistas apressadas e descomprometimentos, o amor continua na moda.

E basta se anunciar o Dia dos namorados para que o coração bata diferente.

O que será, desta vez? Ano passado, a gente nem estava junto e ele lembrou de me dar um presente. E este ano, como será?

O que eu poderia fazer, desta vez, para ser diferente? Já dei flores, já enviei cartão, já comprei perfume. Preciso pensar...

A origem do Dia dos namorados remonta ao século III da nossa era.

Conta-se que, durante o governo do Imperador Cláudio II, este proibiu a realização de casamentos em seu reino, com o objetivo de formar um grande e poderoso exército.

Cláudio acreditava que se os jovens não tivessem família, se alistariam com maior facilidade.

Apesar disso, um bispo romano continuou a celebrar casamentos, mesmo com a proibição do Imperador. Seu nome era Valentim e as cerimônias eram realizadas em segredo.

A prática foi descoberta, Valentim foi preso e condenado à morte.

Enquanto estava preso, muitos jovens lhe enviavam flores e bilhetes dizendo que eles ainda acreditavam no amor.

Entre as pessoas que deram mensagens ao bispo estava uma jovem cega: Assíria, filha do carcereiro.

Com a permissão do pai ela visitou Valentim na prisão. Os dois acabaram se apaixonando.

O bispo chegou a escrever uma carta de amor para a jovem com a seguinte assinatura: De seu Valentim, expressão que passou a significar De seu amor, De seu apaixonado.

Valentim foi decapitado em 14 de fevereiro de 270 d.C.

A partir de então, o dia de São Valentim, 14 de fevereiro, passou a ser tido como o Dia dos namorados.

Outra versão afirma que o costume de enviar mensagens amorosas, neste dia, não tem qualquer ligação com o santo, datando da Idade Média, quando se acreditava que o dia 14 de fevereiro assinalava o princípio da época de acasalamento das aves.

De toda forma, o mais importante é a manifestação do amor. É ter um dia, para aqueles de nós que andamos esquecidos de como é importante demonstrar que se ama.

Um dia para aqueles que adoram demonstrar que amam. Um dia para todos os casais namorados, noivos, casados.

Um dia especial para lembrar de como é bom amar. Como é bom ter alguém ao seu lado para dar e receber carinho.

E nesse dia, é bom recordar os tempos felizes de um início de namoro, de casamento.

E, se houverem rusgas, que sejam desfeitas, com um abraço, um beijo, flores e ternura.

Porque, afinal é maravilhoso ter alguém para amar.

* * *

No Brasil, a data do Dia dos namorados é comemorada a 12 de junho, por ser a véspera do dia 13, dia de Santo Antônio.

É que Santo Antônio tem tradição de casamenteiro. Provavelmente, por suas pregações a respeito da importância da união familiar que, na época, era combatida pelos cátaros.

Redação do Momento Espírita.
Em 12.06.2009

terça-feira, 9 de junho de 2009

PEQUEÑAS ALEGRÍAS - HERMANN HESSE

Escrito por HERMANN HESSE (Premio Nobel de Literatura en 1946), en de 1889. Entre tantas outras coisas, é um texto admirável por sua atualidade.
Foto Vera Vieira

En nuestro tiempo una gran parte del pueblo vive en estado de insensibilidad y apatía. Los espíritus delicados sienten dolorosamente el impacto de nuestras formas de vida y se inhiben frente a la actualidad.

En arte y en poesía, tras un breve período de realismo, se advierte por todas partes un clima de insatisfacción, cuyos síntomas más claros son la nostalgia del Renacimiento y el neorromanticismo. "Os falta la fe", clama la Iglesia; "Os falta el arte", clama Avenarius. Es posible. Pero entiendo que nos falta ante todo alegría.

El anhelo de una vida superior, la visión de la vida como algo jovial, como una fiesta, es lo que, en el fondo, tanto nos seduce en el Renacimiento. La sobreetimación aritmética del tiempo, la prisa como principio y fundamento de nuestro estilo de vida, es el más peligroso enemigo de la alegría.

Este carácter vertiginoso de la vida actual ha ejercido sobre nosotros su nefasta influencia ya desde la primera educación; es triste, pero es inevitable. Lo peor es que la prisa de la vida moderna se ha apoderado de nuestras escasas parcelas de ocio; nuestra forma de gozar y divertirnos apenas es menos nerviosa y azacanada que la barahunda de nuestro trabajo. "La mayor cantidad posible y la mayor celeridad posible", es la consigna. La consecuencia de ello es el aumento constante del placer y la disminución progresiva de la alegría.

El que ha asistido a una gran fiesta en ciudades o incluso en capitales, o ha observado los tipos de diversión en la urbe moderna, no puede menos de evocar con dolor y repugnancia los rostros enfebrecidos y los ojos vidriosos de la gente. Y este estilo de diversión patológico, aguijoneado por un perpetuo hastío, se ha implantado también en los teatros, en la ópera, en las salas de concierto y en las galerías de arte. La visita a una exposición moderna rara vez suele resultar un auténtico placer.

El rico tampoco se ve libre de estos males. Podría escapar a ellos, en teoría, pero en realidad no puede. Hay que participar, hay que estar al corriente, es necesario no perder altura.

Yo no dispongo de una receta universal, como no dispone nadie, contra esta situación deplorable. Pero quiero traer a la memoria una consigna nada moderna, muy vieja: el disfrute moderado es doble disfrute. Y: no desatendáis las pequeñas alegrías.

Moderación, por tanto. En determinados círculos se necesita tener valor para dejar de asistir a un estreno. En otros círculos, hace falta valor para confesar que no se conoce una novedad literaria a las pocas semanas de su aparición. En muchos ambientes uno queda en ridículo si no ha leído el periódico del día. Pero yo sé de algunas personas que no se arrepienten de haber tenido este valor.

Con el hábito de la moderación se encuentra estrechamente vinculada la capacidad de goce para las "pequeñas alegrías". Pues esta capacidad, que originariamente es innata en toda persona, presupone ciertas cosas que en la vida moderna están atrofiadas y se han volatizado, a saber, un cierto acopio de serenidad, de amor y de poesía. Estas pequeñas alegrías, que le son regaladas al pobre de un modo particular, son de tan poca apariencia y se hallan tan desparradas en la vida cotidiana, que los sentidos embotados de innumerables trabajadores apenas llegan a percibirlas. No llaman la atención, no son apreciadas, no cuestan dinero (paradójicamente, ni los pobres saben que las más bellas alegrías son siempre las que no cuestan dinero).

Entre estas alegrías están en primer lugar las provenientes de nuestro contacto diario con la naturaleza. Especialmente nuestros ojos, estos ojos tan maltratados, tan sobrecargados, del hombre moderno, pueden ser, si queremos, fuente inexhausta de delicias.

Um trozo de cielo, una tapia de jardín desbordada de verde ramaje, un brioso caballo, un hermoso perro, un grupo de niños, un bello rostro de mujer... son espectáculos que no debemos dejar escapar. El que se ha inciado en este ejercicio es capaz de descubrir en la ruta diaria cosas preciosas, sin necesidad de perder un minuto de tiempo. Este ejercicio no fatiga nuestros ojos, sino que los fortalece y los renueva,y no sólo ellos salen ganando. Todas las cosas poseen una faceta bella, aun las cosas feas o desprovistas de interés; sólo hace falta saber mirar.

Vivir cada día el máximo posible de pequeñas alegrías y reservar los goces mayores y más fatigosos para los días solemnes y los buenos momentos, es lo que yo aconsejaría a todo aquel que padece de desazón y falta de tiempo. Son las pequeñas alegrías, y no las grandes, las que nos sirven para el descanso, la liberación y el relajamiento de cada día.
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Se quiser saber mais sobre o autor:

CARPE DIEM por Vera Vieira

Foto Peasap


EU NÃO PENSO NADA

TUDO PODE SER
TUDO PODE NÃO SER

DOS GRAVETOS
QUE CONSIGO
ACENDO UMA FOGUEIRA
AQUEÇO E ILUMINO
OS LABIRINTOS
DESSA CAVERNA SOLITÁRIA

quarta-feira, 3 de junho de 2009

COMO TODA UNA MUJER

Uma coisa puxou a outra e...depois do texto de Marcela Serrano, nada melhor que a voz de Maria Martha cantando essa letra forte e linda!




Interpretação de Maria Martha Serra Lima, cantora argentina.

Como toda mujer, tengo algo en común
soy celosa del hombre que amo,
soy tan amante…
impetuosa, rebelde y voraz,
caprichosa, violenta y audaz
como toda mujer, como todas.

Como toda mujer a menudo me da
por callar injusticias y luego
llorar en silencio
explotar por alguna idiotez,
verme mal de cabeza a los pies
como toda mujer, somos la misma piel.

Como toda mujer yo me entrego al amor
sin medida, sin tiempo, y con todo
cuando alguien me quiere
como toda mujer me emociona,
una flor, un te quiero, mil cosas,
como toda mujer, como todas.

Como toda mujer soy la guerra y la paz
sé ocupar mi lugar
no permito que nadie me engañe
a tropiezos me hice coraje
no soy fruta prohibida de nadie
como toda mujer, como aquella y usted.

Como toda mujer desconfiada yo soy
tan segura de si y otras veces,
un poco cambiante
yo soy débil y fuerte a la vez,
con virtudes, defectos y qué...
como toda mujer, como todas.

Como toda mujer soy la guerra y la paz
sé ocupar mi lugar
no permito que nadie me engañe
a tropiezos me hice coraje
no soy fruta prohibida de nadie
como toda mujer, como aquella y usted.

LA MODERNA SOLEDAD EN LA OBRA DE MARCELA SERRANO


Excerto de monografia de conclusão de curso de Especialização em Língua espanhola e literatura, com o título LA MODERNA SOLEDAD FEMENINA EN LA OBRA DE MARCELA SERRANO, orientada pela Profª Leonilda Ambrozio, apresentada pela autora em 2004, na Universidade Tuiuti do Paraná. A autora chilena publicou também, em 2002, El cristal del miedo, uma obra de literatura infanto-juvenil. Em 2004 publicou Hasta siempre, mujercitas, mas não em tempo de ser comentado no trabalho que segue abaixo. Finalmente, em 2008, vem a público La llorona. A intenção de colocar esse texto aqui é a de divulgar um pouco mais a obra dessa chilena que me fez sentir 'otra' como todas las otras... Tenho certeza de que, embora seja classificada como literatura feminina, (classificação com a qual a autora não simpatiza muito) suas palavras tocam tanto o mundo feminino quanto o masculino. Porque segue a crença de que 'puentes son necesarios'. É um texto extenso, bem sei, mas experimente a sua leitura. Valerá a pena pois Marcela Serrano é uma das grandes escritoras latinas contemporâneas! Há braços!


Nosotras, las otras... y yo


Así como sucedió en varios grupos humanos por el mundo afuera, cuando los países vivieron grandes períodos de sufrimiento que, de alguna forma, imposibilitaron su avance – y en este caso está el desarrollo de la literatura nacional – no fue distinto lo que se pasó en Chile. Se reeditó, con menos o más ferocidad, los horrores que el deseo de poder cobra de aquellos que, lejos de las influencias políticas, son los más perjudicados: los miembros del pueblo, la gran masa dolorida tan bien sentida y definida por el revolucionario y poeta cubano José MARTÍ. También así, como en la España sufriente de la Guerra Civil, que a llantos profundos exilió sus cabezas pensantes, Chile igual lo sufrió. Si hablamos de literatura chilena, no podemos olvidar del período histórico bajo la dictadura vivida por ese país. Quizás para algunos especiales brasileños, a las pocas palabras se les calen, se les abarquen el significado de una vivencia en tiempos arduos de dictadura. Aún así, es sabido que en Chile el proceso fue infinitamente peor. Como bien sabemos que las memorias tienen que estar ahí para que las anidemos en nuestros corazones y para que estemos atentos a toda y cualquier tentativa de nueva catástrofe, mejor que repasemos los acontecimientos históricos.

Desde el 11 de septiembre de 1973 hasta el 11 de marzo de 1990, Chile vivió el período negro de su historia. Proponiendo una transición pacífica hacia al socialismo, la Unidad Popular llegó a su fin tras el violento golpe militar que derrocó al gobierno constitucional de Salvador ALLENDE. Justo el día 12 de septiembre, muere ALLENDE en La Moneda, el Palacio Presidencial, entre llamas y bombardeos infligidos por las Fuerzas Armadas. Con el presidente muerto, sus ministros y colaboradores fueron detenidos y llevados a campos de concentración. Así comenzaron los horrores de una guerra al enemigo interno, o mejor, a los contrarios al golpe: el comunista, el marxista, el socialista, el revolucionario, el subversivo – los que constituían un desafío al nuevo orden establecido. Se declara Estado de Sitio en todo el país, con la sustracción de la justicia ordinaria. El Congresso Nacional fue disuelto bien como el Tribunal Constitucional. Los partidos de izquierda cayeron en la clandestinidad, los registros electorales fueron incinerados y se cesaron las funciones de alcaldes y regidores. Todo se quedó en manos de los militares.

De ahí para delante, la historia se repite: la represión no consideró clases sociales, género, profesión, estado civil o edad. Hoy se habla en un total aterrador de doscientos y cincuenta mil chilenos detenidos por motivos políticos. Miles de ejecuciones sin juicio previo, personas desaparecidas y muertas en falsos enfrentamientos. Y además de la tortura física infligida a los que cayeron en el aparato militar, había la sórdida tortura de la delación entre vecinos, engendrada y muy motivada por la junta militar. Pero como no debía ser distinto, al mismo tiempo fueron creados algunos órganos de ayuda a las personas detenidas o desaparecidas y a sus familiares. Muchos de ellos fueron el único apoyo y soporte sicológico para miles de familias. Y la lucha por los derechos humanos agregó también número igual de personas.

La iglesia católica, muy diferentemente de lo que se pasó en Argentina, a sua vez, estuvo con el pueblo y fue un punto muy fuerte de referencia para los atingidos por las locuras de un tiempo de represión. Quizás haya sido la toma de posición de la iglesia católica chilena el hecho de que hubo menos desaparecidos y muertos chilenos de los que lo tuvo el pueblo platino. Aún así, con todas las dificultades, jamás ha dejado de haber oposición al régimen, luchándose como podía. Durante los años ochenta fueron rechazadas muchas manifestaciones de protesta colectiva y nacional, sobre las cuales fueron impuestas duras represiones, principalmente en las poblaciones de Santiago. Muchas personas murieron como víctimas inocentes de una batalla de la cual no tenían ningún compromiso político. En 1988, el dictador General Augusto PINOCHET conclamó un plebiscito proponiendo ocho años más de su mandato. Él perdió el plebiscito y tuvo que llamar a las elecciones presidenciales. El demócrata-cristiano Patricio AYLWIN triunfó y asumió como presidente de su nación el 11 de marzo de 1990.

Como en todos los casos de gran represión política, numerosos fueron los exiliados de la elite cultural. Entre ellos, muchísimos representantes de la literatura, tales como poetas y novelistas. Muy pocos fueron los que se quedaron y pudieron continuar desarrolando su modo de pensar, sentir y escribir. De la misma forma que en otros países con igual historia, la ausencia de los más experientes, de los que ya tenían un largo camino en la literatura nacional, aunó fuerzas para que nuevos escritores y poetas, desde adentro del país, alzaran sus voces. Entre estos, la novelista que es tema de este estudio, aunque haya publicado su primer novela en 1991: Marcela SERRANO.

Hablamos de una persona que, además de vivir el tiempo de la dictadura y de haberse exiliado en Italia por un período, es representante del género femenino. Y eso no es poca cosa, como veremos a lo largo de la discusión del tema.

La literatura de Marcela SERRANO habla del mundo contemporáneo desde la perspectiva femenina, sin que sea una obra volcada exclusivamente para el público femenino. Al revés, es una literatura muy interesante al mundo de los hombres. Porque, entre tantos temas que la autora incluye en sus libros, el desencuentro entre hombre y mujer tiene una presencia constante. Pero los personajes fuertes de sus obras son, en verdad, las mujeres. Todo eso mezclado con la turbulencia reciente de los recuerdos y de las heridas aún abiertas en el tiempo de la dictadura. La política no se aleja de la obra de Marcela SERRANO porque hace parte de sí misma, porque la vivenció y le dejó marcas indelebles. Veamos como lo explica:

“Me cuesta mucho imaginarme que yo pudiera escribir una novela donde la dictadura chilena no estuviera presente de una u otra forma, porque determinó mi vida por completo. Todo lo que me ha pasado en la vida ha estado determinado por eso: el exilio, la vuelta a Chile, la resistencia contra Pinochet... todo lo que me ha pasado ha tenido que ver con la dictadura. El problema no es que yo lo haya elegido o no, estoy tan marcada por eso que va a estar presente en lo que yo escriba eternamente”.[1]

De la misma manera, habla con seguridad sobre su obra ser o no ser escrita directamente para el público femenino. A ella no le gustaba que su obra fuera definida como literatura femenina. Actualmente ya no le importa más ese tipo de juzgamiento. Lo que le importa es que ha expuesto sus pensamientos y ellos han encontrado eco en la mayoría de las lectoras y que ha sido una forma placentera de presentar la figura femenina contemporánea. Es así que responde a ese tipo de cuestionamiento: “Sólo sería un hecho biológico. Sin embargo, he sido muy satanizada por ello, pero escribo sobre mujeres porque la historia oficial de la literatura está escrita por hombres y a ellas no les ha dado voz”. [2] En otros momentos se refiere “ (...) a la voz que ha sido secuestrada por el hombre” .[3]

El hecho de que haya empezado a publicar a los treinta y ocho años, da a Marcela SERRANO las condiciones para saber de lo que habla cuando describe la vastedad de los sentimientos de la mujer contemporánea. Esa chilena, hija de famosos padres escritores, graduada en Bellas Artes por la Universidad Católica de Chile, además del hecho biológico resultar en un ser del género femenino, es alguien que está en perfecta comunión con su género. Y presenta en su obra los valores que, esencialmente unen a las mujeres: la amistad, el deseo de estar juntas, la capacidad de hablar de sus problemas más personales, el humor con el cual enfrentan tales problemas y la fuerza que una pasa a otra cuando se perciben como eslabones de una única y especial cadena: la de las mujeres de nuestro tiempo.

Para que sepamos un poco de la obra de Marcela Serrano, significando aquí aquellos textos que están publicados en libros, en total de siete, vamos dar unas rápidas pinceladas en cada una de ellas.

En la primera novela, Nosotras que nos queremos tanto (1991), la autora promueve el encuentro de cuatro mujeres chilenas, de carrera, profesionales, que enfrentan la mitad de sus vidas y que se sientan para conversar sobre sus experiencias de vida, marcadas por frustraciones. Es de esa novela que salen las voces de María, Isabel, Sara y Ana, con quienes mantendremos contacto a lo largo de ese texto. Con esta primera novela, Marcela SERRANO recibe el premio Sor Juana Inés de la Cruz 1994, como la mejor novela de la Feria del Libro de Guadalajara.

Después siguió Para Que No Me Olvides (1993) de donde nos hablan los personajes Blanca, Sofía y Victoria. Hermosa, delicada, culta, de clase social acomodada, sutil, inofensiva, habitante del universo de los hijos y del marido protector, Blanca ve ese universo de patas arriba cuando, a los cuarenta años, sale ao exterior y conoce otros mundos, otras gentes. Entre ellos, un amor avasallante y clandestino. Por eso, y como una maldición antigua entre las mujeres transgresoras, le sobreviene la afasia, una enfermedad no menos metafórica: Blanca no puede comunicarse con el mundo exterior. Sin habla y sin escritura, queda sola en la prisión de sus recuerdos. Esa novela fue distinguida con el Premio Municipal de Literatura en Santiago de Chile.

En 1995, SERRANO publica Antigua vida mía, escrita en Guatemala: la novela relata la historia de Violeta y Josefa, que se suma a la de las madres, abuelas y bisabuelas, todas testigos de la experiencia de ser mujer. De la noche a la mañana, Violeta hace noticia a causa de una tragedia tan inevitable como providencial, y su amiga Josefa, con los diarios de Violeta en su mano, empieza a contar su historia, es decir, de ambas. Aunque Josefa, una exitosa y angustiada cantante chilena, es la narradora, a su voz y la voz de Violeta se agrega la de nosotras, las otras (madres, abuelas, bisabuelas), suerte de un coro griego y testigo de la experiencia femenina a través de las generaciones. El amor y la traición, la sexualidad y el dolor, la utopía y la muerte, las perversiones de la modernidad y la tensión entre lo privado y lo público: las vidas de Josefa y Violeta dibujan, como en un huipil multicolor, los anhelos y conflictos de la mujer contemporánea. [4]

Dos años más tarde (1997) surge El Albergue De Las Mujeres Tristes, que nos cuenta las historias de varias mujeres que se van al albergue para reconstruir su identidad, sus amores, sus ansias de futuro. SERRANO sigue, en esa novela, dando voz y vez a la melancolía, a la desolación femenina. Entre tantas voces del albergue, se alzan, hasta nuestro espacio, las de Floreana y Elena.

Nuestra Señora de La Soledad sale a la luz en 1999 y trata de una intriga policial que excede el género negro de las novelas norteamericanas para dar paso a una verdadera novela de aprendizaje. La dectetive Ana Alvallay, de cincuenta y cuatro años, divorciada y con dos hijos, tiene que descubrir el misterio del desaparecimiento de una escritora chilena en Miami. En el proceso creativo de esa novela, SERRANO rastrea “...entre las distintas soledades, la mayor de todas, que es única, insondable y (también) mujer: Nuestra Señora de La Soledad”, agrega Alfaguara, la editorial que publicó esa obra. [5]

El año siguiente (2000), Marcela SERRANO publica Un mundo raro, obra que contiene dos cuentos: El amor en el tiempo de los dinosaurios, que trata de las expectativas de un hombre mediocre, que pone su vida personal y sentimental de acuerdo con los ánimos del partido político al cual pertenece; Sin Dios ni ley nos cuenta el revés de una madre con los problemas de aborto, evidenciando las dificultades de comunicación entre madre e hija en un tiempo de despertar conciencias.

Lo que está en mi corazón, es la última novela que publicó SERRANO, en 2001. Relata la historia de Camila, que va a Chiapas con el propósito de escribir un reportaje diferente sobre la revuelta zapatista. Pero no sospecha que la verdadera revuelta que la espera es la de sí misma. Pues a los treinta y cuatro años, esposa de un periodista que abandonó Chile y fue a vivir en Washington, madre de un hijo que murió aún bebé, se ve arrastrada por los acontecimientos dramáticos de la ciudad mexicana en que se encuentra. Indecisa ante el renacimiento de la pasión amorosa, Camila se ve obligada a replantearse la vida. Y a buscar caminos para enfrentar a un mundo extraño. Lo que está en mi corazón, un título para allá de sugestivo, es una expresión que suelen decir las mujeres mayas al cerrar una historia.

Entre tantos temas de vital importancia relatados en las tramas novelísticas de Marcela SERRANO, está la referencia a la soledad femenina. Aunque tengamos caminado muchísimo con el pasar de los tiempos y que la mujer haya conquistado largos pasos en varios sectores, en las rutas para el encuentro de los géneros, algunos puentes fueron rompidos. Y está difícil de reconstruirlas porque a las personas les cuesta dejar de sí mismas en beneficio de la pareja, como uno de los ejemplos. Hoy día el sentimiento de individualidad está muy fuertemente pegado en las personas. Esa situación concurre para el alejamiento de la pareja. Y como en la mayoría de las veces es la mujer que siente que hay problemas amenazando la convivencia conyugal, casi siempre ella no alza la voz o, cuando lo hace, la desprecian, la toman en menos. Por ello, la voz abafada. O tal vez, la mudez total. Y la completa falta de espacio para que cultive la soledad. De ahí que no es de admirar que se instale la desgracia de las mujeres modernas: la depresión, que tantas veces no es perfectamente diagnosticada y acaba causando el hundimiento de su persona bien como de tantas otras que circulan a su alrededor más cercano.

Pero ¿qué es soledad? Según el diccionario de la Lengua Española de La Real Academia Española, soledad es “...carencia voluntaria o involuntaria de compañía; lugar desierto o terra no habitada; pesar y melancolía que se sienten por la ausencia, la muerte o la pérdida de alguna persona o cosa”.[6] No raro confundimos soledad con añoranza, “acción de recordar con pena la ausencia, privación o pérdida de persona o cosa muy querida”.[7] En el idioma portugués, entonces, la confusión se hace de inmediato, pues la palabra saudade, de sonido muy parecido a soledad, es lo que en español significa añoranza. Antonio Geraldo da CUNHA, un gran etimólogo, registra así el vocablo: “Saudade: recuerdo nostálgico y, al mismo tiempo, suave, de personas o cosas distantes o extintas, acompañada del deseo de tornar a verlas o poseerlas; nostalgia”.[8] A su vez, Deonisio da SILVA enseña que “...Saudade: Del latín solitate, soledad. En portugués arcaico, nació soedade, soidade, suidade. Pero los etimólogos no tienen unanimidad sobre las orígenes de este vocablo, tan característico de Brasil”.[9] Esa es una palabra muy usada en Brasil y uno que es brasileño siente dificultad para traducirla a otro idioma. Sin embargo, en el español arcaico fue muy utilizada también. Pero para este estudio, soledad quiere significar “estado del que se encuentra solo; alejamiento del mundo o del bullicio; aislamiento; lugar donde se puede quedarse solo, alejado de la convivencia humana”. [10] Trataremos sobre el espacio y el tiempo que debemos hacer nacer, ni que sea a fórceps, para que mantegamos íntegra nuestra autonomía.

Es ontológico el problema de la soledad. Que se agraba aún más en el género femenino. Porque desde que nacimos fuimos enseñadas a tener miedo a la libertad, miedo a pensar por nuestras propias cabezas, por tomar las decisiones y a vivir una relación de dependencia que destruye nuestra autonomía. El sentimiento es de que, las mujeres, no estamos hechas para vivir solas, sin la compañía de los hombres. Es la transformación de nuestra individualidad en apéndices eternos del masculino. La reconstrucción de la autonomía pasa por la metodología de la soledad, como sigue abajo:

“(...) el tiempo, el espacio, el estado donde no hay otros que actúan como intermediarios con nosotras mismas. La soledad es un espacio necesario para ejercer los derechos autónomos de la persona y para tener experiencias en las que no participan de manera directa otras personas. Para enfrentar el miedo a la soledad tenemos que reparar la desolación en las mujeres y la única reparación posible es poner nuestro yo en el centro y convertir la soledad en un estado de bienestar de la persona. (...) Uno de los procesos más interesantes del pensamiento es hacer conexiones: conectar lo fragmentario y esto no es posible hacerlo si no es en soledad. Otra cosa que se hace en soledad y que funda la modernidad, es dudar. Cuando pensamos frente a los otros el pensamiento está comprometido con la defensa de nuestras ideas, cuando lo hacemos en soledad, podemos dudar. Si no dudamos no podemos ser autónomas porque lo que tenemos es pensamiento dogmático. Para ser autónomas necesitamos desarrolar pensamiento crítico, abierto, flexible, en movimiento, que no aspira a constuir verdades y esto significa hacer una revolución intelectual en las mujeres”.[11]


Lo que ocurre es que el trato social en la vida de la mujer impone muchas dificultades para que ella pueda realizar el proceso de la metodología de la soledad. Porque se necesita un tiempo y un espacio para su ejecución. Y bien sabemos que los roles femeninos son tantos que, para mantener la disciplina de la práctica del aislamiento, de la soledad, depende mucho de una gran voluntad. Pero nos consuela que para todo hay que pagar un precio. Y para sentirnos autónomas, todo el esfuerzo será bien aprovechado. Lo que importa es que nos convertamos en sujetas.


Convertirnos en sujetas significa asumir que de veras estamos solas: solas en la vida, solas en la existencia. Y asumir esto significa dejar de exigir a los demás que sean nuestros acompañantes en la existencia; dejar de conminar a los demás para que estén y vivan con nosotras. (...) En la construcción de la autonomía se trata de reconocer que estamos solas y de construir la separación entre el yo y los otros”. [12]


En la búsqueda de las respuestas para la soledad es que, en las novelas de SERRANO, las mujeres se agrupan, se reúnen, consolidan la amistad, se dan las manos, porque saben que tan sólo entre sus pares es que serán comprendidas y ayudadas. En esos momentos, lo que aprenden es sobre solidaridad, sienten que su caso no es único, que el caso de cada una puede ser el caso de muchas otras. Siempre que pueden, los personajes de la novelista se alejan de sus casas, de sus trabajos, de su entorno social, y van a buscar sitios, rincones donde puedan estar, al menos, lejos de los compromisos diarios. Aunque compartiendo ese tiempo de relativa soledad, ellas salen con una certeza en sus pechos: de que la soledad, ese tiempo y espacio tan deseado, es una necesidad, no es una cuestión de ocio. Al revés, pueden realizar momentos de mucho trabajo. Pero no menos placenteros.

La autora utiliza muchas veces en sus narrativas el recurso del coro griego, que era constituído por un grupo de quince actores amadores que danzaban y cantaban, eligidos a través del registro civil de la tribu. Eran todos hombres que actuaban durante la representación y “ (...) caminaban en solemne procesión a través del palco estrecho y largo, interpretando, por medio de la poesía del movimiento, las palabras y los estados de alma de la pieza” [13] . El teatro era al aire libre y los asistentes podían, cuando eran invocados el cielo, el mar, el sol, las estrellas, el océano, visualizar tales elementos. Por ello es que los títulos de los capítulos de este trabajo están así nombrados, con la repetición en forma de oraciones, de voces que se alzan a los cielos, como hicieron nuestras antepasadas y como de formas diversas seguimos haciéndola hoy, nosotras, las otras, como le gusta a la autora escribir en sus obras. Y como nos encanta percibirnos, todas nosotras, las otras: cada una siendo una, pero todas juntas con la misma voz y el mismo gesto.

La cuestión de la soledad, cuando se trata del género femenino, encuentra en la falta de tiempo, a causa de los múltiples quehaceres de la mujer, un gran obstáculo para que se realice la metodología de la soledad. Son muchas las situaciones que vive la mujer que la llevan a un estado de fatiga o desolación. Tantas oportunidades para que se instale el deseo de soledad y muy pocas ocasiones para practicarla. Pues hay que estar atenta a todos los detalles, hay que atender a todas las solicitaciones que advienen de sus tareas con la familia, con los hijos, con el trabajo, con su corazón, con su tiempo. Sin embargo, la mujer de hoy día también tiene que arreglar un espacio para estar en soledad, así como si fuera el combustible que le da energía, más fuerza para poder seguir el camino. Así es que, en el capítulo siguiente y posteriores, estaremos demostrando las exigencias que sufren las mujeres de nuestro tiempo en relación con sus más variadas tareas, utilizando las voces de los personajes femeninos de la obra de Marcela SERRANO.

Es por ello que cuando las lectoras pongan sus ojos sobre sobre estas líneas, sabrán comprender, desde el hondo de sus entrañas, de qué se trata. Porque nosotras, las otras, sea el yo de la novelista o el yo de la investigadora o aún el yo de la lectora, todas pertenecientes al mismo género, sabemos olfatearnos y reconocer lo nuestro. Pero en ello no se pretende alejar la mirada masculina. Todo al revés. La necesitamos. Puentes son necesarios.



[1] Entrevista - Disponible en: < http://www.terra.es/cultura/articulo/html/cul4178.htm%3eAcesso en: 07 nov. 2003.


[2] Entrevista– Disponible en: <http://www.xlation.com/mailing-list/xlat/Nov1999/msg00033.html>. Acceso en: 07 nov. 2003.


[3] Disponible en: <http://suscriciones.copesa.cl/promo/serrano/pages/su_vida.html>. Acceso en: 07 nov. 2003.


[4] El huipil es la prenda femenina más tradicional de la mujer indígena desde la antiguedad. Consiste en un lienzo de tela doblado con una apertura para introducir la cabeza y dos más para los brazos cuando va cerrado. El lienzo se compone a su vez, de uno, dos, tres y algunas veces hasta de cinco tiras de tela que se unen entre sí.


[5] Disponible en: <http://www.terra.com/arte/articulo/html/art1405.htm> . Acceso en: 07 nov. 2003.

[6] Diccionario de la Lengua Española de la Real Academia Española, v. II, p.1898.


[7] Idem, v I, p. 159. Utilizaremos idem para el mismo autor(a), ibidem para la misma obra y loc. cit. para la misma página, en notas secuenciales.


[8] Dicionário Etimológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa, p. 708.


[9]A vida íntima das palavras, p. 412. Traducción libre de la investigadora.


[10] Antenor NASCENTES, Dicionário da Língua Portuguesa, p. 595. Traducción libre de la investigadora.

[11] Marcela LAGARDE, La soledad y la desolación. Disponible en: <http://www.mujeresdeempresa.com/genero/genero030201.htm>. Acceso en: 14 mar. 2004.

[12] Idem, ibidem.

[13] Will e Ariel DURANT, A História da Civilização, v. II, p. 297. Traducción libre de la investigadora.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

ROSA RUBRA por Vera Vieira


Havia uma veia
interrompida
em meu coração.
Não pulsava, não esquentava,
tampouco palpitava.

Durante longo tempo
ministrei medicina equivocada,
amarga, indigesta.
Coloquei culpas e remorsos
inteiramente em meu modus operandi.

Certo dia descobri
que tal moléstia me foi imposta
como um depósito das falhas
e das incapacidades alheias.
Meu coração inquietou-se.


Fez-se em caminhos cordiais, naturalmente,
a descoberta da vitamina A, de Amor.
Que fortaleceu e revigorou.
Trago hoje no corpo essa rosa rubra,
latejante, orvalhada e olorosa.

ELEGÂNCIA por Vera Vieira

ELEGÂNCIA

Há qualquer coisa de elegante
em meu corpo quando amo.

Ele se veste de cores inéditas
e assume matizes que hipnotizam.

Ganha texturas de dunas do deserto
e de ondas crispadas.

Exala olores inebriantes de brisa marinha
e suores de jasmins.

Fala de versos de Don Pablo
e gesticula movimentos de Albinoni.

Caminha seguro com passos divinos
e repousa com lassidão humana.

Desnuda-se como árvore no outono
e se entrega como o mar à praia.

Há qualquer coisa de elegante
em meu corpo quando amo.

Mas teu corpo não mais vestirá
a elegância do meu.

A ARTE DE PRESENTEAR - AFFONSO ROMANO DE SANT'ANNA


Homens e mulheres se dão presentes de maneira diferente. Não sei se isto é cultural, se é psicológico ou até biológico. É diferente. E falo tanto de dar quanto de receber. Pois se um presente brilha na mão de um homem e na direção da mulher, o corpo dela é pura comoção e se entreabre numa primavera de dedos e floração de sorrisos e beijos.

O homem, não. O homem, em geral, dá à mulher a sensação de que errou de destinatário, que ele está abrindo uma caixa para outra pessoa. Ele não tem dedos ágeis, lindos, frágeis, de quem abre o cristal do afeto, a seda do carinho e os laços da paixão. Vai logo rasgando tudo, meio estabanado e, quando chega ao cerne da coisa, mal balbucia um adjetivo para, luminosamente, agradecer.

Homem não recebe presente. Apenas constata que ganhou. Olha-o de fora. Eu aqui ele acolá, vai até vesti-lo com orgulho, vai até dirigi-lo ágil e feliz. Recebe sempre como se as mulheres lhe devessem coisas. Falta ao homem aquela aura que só os santos e as mulheres assumem quando recebem uma graça dada.

Receber um presente é uma arte que às vezes tem que se aprender. No meu tempo de menino em Minas, por exemplo, não se abria presente na frente dos outros. A desculpa era sempre de que seria uma falta de educação. Ou será que era medo de mostrar a própria emoção? Carregava-se o presente para o quarto ou ia-se abrir escondido, sozinho, proibindo ao doador a cena da revelação.

Se homens e mulheres recebem presentes diferentemente, também escolhem e presenteiam de modo diverso. Homem pede à secretária que escolha e mande. Neste caso, presente é uma coisa entre mulheres a respeito dos homens.

Já a mulher é capaz de passar dias procurando pelas galerias e vitrinas. Ela reassume suas antigas virtualidades de coletora numa sociedade tribal e vai colhendo das árvores o alimento afetivo para sua família. Mas não me venham, por causa disso, dizer que a mulher tem mais tempo e foi treinada para isto desde sempre. Há também homens, que não foram treinados para isto, não têm tempo, mas cumprem o mesmo ritual do prazenteiro doador. São poucos, é verdade, mas nem por isso são menos homens. A emoção, dizem os machos empedernidos e os artistas formalistas, é coisa de mulher. Dizem isto e perdem assim metade do que de bom tem a vida, que é se emocionar.

Sobre presentes, se pode muito observar. Há quem saia e só consiga comprar presentes para si mesmo. Roda, roda, roda nas vitrinas do seu ego, não consegue ver o outro. Assim, sai para presentear o outro e faz o outro presenteá-lo.

_ Há pessoas que não se dão presentes para não terem que se dar?
Neste caso o presente é um escudo. Ambíguo escudo. Neste caso o presente fala mudo.
_ Há pessoas que dão presentes como forma de se dar?
Neste caso o presente é tudo. Duplo mundo. O próprio corpo a se desembrulhar.
Os amantes sabem disso. Entre eles os presentes sinalizam a estrada da paixão. Para eles, o presente é a véspera do corpo. A primeira achega. O progressivo afeto. Pela sua constância, valor e progresso, se sabe quando o amor aumenta ou quando está em extinção.

Assim, da mesma forma que o primeiro presente é o sinal de que alguém desembarcou em nossa vida, também há presentes que são o último aceno na estação, a última víscera desembrulhada na dilacerada relação.

Mas o bom é quando o presente é um transbordamento do afeto. Uma duplicação do gesto. Um preenchimento de espaços no corpo, na casa do outro.
Desse modo, presentear é resistir, ocupar (claro, em alguns casos, é invadir). Mas quando vai disseminando presentes na campina do outro, o amante, mais que agricultor, é construtor, arquiteto, fundador. Está preenchendo o tempo e o espaço, está se expandindo num concreto amor.

Presentear, na verdade, é isto. É dizer: eu não vim apenas te ver, através do meu presente, eu vim permanecer.


Veja mais sobre Affonso Romano --------------> http://www.affonsoromano.com.br/