quarta-feira, 26 de agosto de 2009

TEMPO!

Sinal fechado

Paulinho da Viola

– Olá! Como vai?
– Eu vou indo. E você, tudo bem?
– Tudo bem! Eu vou indo, correndo pegar meu lugar no futuro... E
você?
– Tudo bem! Eu vou indo, em busca de um sono tranqüilo...
Quem sabe?
– Quanto tempo!
– Pois é, quanto tempo!
– Me perdoe a pressa - é a alma dos nossos negócios!
– Qual, não tem de quê! Eu também só ando a cem!
– Quando é que você telefona? Precisamos nos ver por aí!
– Pra semana, prometo, talvez nos vejamos...Quem sabe?
– Quanto tempo!
– Pois é...quanto tempo!
– Tanta coisa que eu tinha a dizer, mas eu sumi na poeira das
ruas...
– Eu também tenho algo a dizer, mas me foge à lembrança!
– Por favor, telefone - Eu preciso beber alguma coisa,
rapidamente...
– Pra semana...
– O sinal...
– Eu procuro você...
– Vai abrir, vai abrir...
– Eu prometo, não esqueço, não esqueço...
– Por favor, não esqueça, não esqueça...
– Adeus!
– Adeus!
– Adeus!





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Transversal do tempo

João Bosco e Aldir Blanc


As coisas que eu sei de mim

São pivetes da cidade

Pedem, insistem e eu

Me sinto pouco à vontade

Fechada dentro de um táxi

Numa transversal do tempo

Acho que o amor

É a ausência de engarrafamento




As coisas que eu sei de mim

Tentam vencer a distância

E é como se aguardassem feridas

Numa ambulância



As pobres coisas que eu sei

Podem morrer, mas espero

Como se houvesse um sinal

Sem sair do amarelo






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